AMORES PLATÔNICOS

 

Foi o sol da manhã que a fez perceber que já era hora de ir embora. Fazia 24 horas que estava acordada e o dia ainda não tinha terminado.

 

Dquela festa, em que alguns beberam demais e ela de menos, iria direto para o trabalho. Pelo menos, estava bem acompanhada.

 

Ok, o fato de sua boa companhia fazer perguntas sobre outras mulheres durante o caminho, a chateou. Mas nem por isso seu ânimo diminuiu.

Estavam cansados os dois, mas de alguma forma, a última coisa que seu corpo queria era dormir.

 

Mas não titubeou ao ser puxada para deitar em cima da mesa de seu escritório. E apesar de nunca ter feito nada parecido, e não ter planejado nada daquilo, nada pareceu estranho ou surreal.Ao contrário, tudo parecia perfeito. Ela não acreditava em destino. Mas sabia que cada acontecimento de sua vida tinha a única função de leva-la para viver aquele momento.

 

Muitos poderiam condena-la. Era uma garota responsável e detentora de um certo “status” em seu emprego. E de repente, estava ali. Havia levado para o escritório um garoto mais jovem, bonito e semi-alcoolizado (pelo menos era o que ela insistia em repetir a si mesma. Talvez quisesse acreditar que ele sabia o que estava fazendo e que aquilo não era só culpa dela). E agora estavam ali. Deitados sobre a mesa. Bem no meio do escritório.

 

Não demorou muito para estarem abraçados no chão acarpetado da sala de reuniões.

 

A todo instante se questionava se aquilo era certo e decidiu, sem muita demora, que sim. Apesar de imensamente excitante, esqueceu a idéia de assédio. Da “chefe” seduzindo o “novo” estagiário e se entregou. Se entregou a beijos famintos. Abraços desejados. Afagos nas costas. Lambidas na nuca e toque. Toques firmes. Decididos. Instigantes. Toques que a fizeram perder qualquer noção da realidade. Ele havia bebido demais, e ela é quem não sentia os pés no chão.

 

Sentia apenas um desejo arrebatador de ser possuída por ele. Ali. Naquele instante. Sem pensar no antes ou no depois. Se eles tinham uma história, não importava. Se teriam um futuro, também não.

 

Queria apenas sentí-lo dentro dela, ocupando cada espaço vão do seu corpo. Da forma mais instintiva e animal possível. Blusas sendo tiradas. Sapatos sendo jogados. Cintos sendo arrancados e zíperes sendo abertos.

 

Mas foram interrompidos. E o que era uma vontade, virou uma curiosidade.

 

Depois daquela manhã, nunca mais falaram sobre isso. Ela, que há muito não era uma adolescente que se contentava com amores platônicos, viveu 48 horas sentindo a maior felicidade do mundo. Sentia a sensação, indescritível, de ter estado nos braços do homem que ela amava de verdade.

 

Cinco dias depois a realidade tirou o sorriso bobo de seus lábios com luvas de boxe.

 

Ela nunca mais ligou. Ele nunca mais tocou no assunto.

 

Ela muitas vezes se perguntou se deveria propor um novo encontro ou se era melhor ficar apenas com o gostinho do que poderia ter sido. Aquela expectativa, aquele malicioso sorriso que surge cada vez que ela pensa “como teria sido...”.

 

Ela nunca soube o que ele sentiu. E nunca mais o teve bêbado em suas mãos. Mas ela sabe que, em algum lugar, em algum momento, o “como teria sido...” também passa pela cabeça dele.

 

Ela ainda não sabia ao certo o que fazer com essa certeza. Mas uma coisa ela sabia: não era mais uma garota de amores platônicos.
Assim é que me sinto...

 

Começar com um texto que não é meu, não é nada legal.  Mas é assim que me sinto agora...e em todos os últimos meses de minha vida! 

É a letra de uma música chamada Ex-factor, da Lauryn Hill...

  

Podia ter sito tudo tão simples

Mas você preferiu complicar

Amar você é como uma batalha

Onde nós dois terminamos com cicatrizes

Diga-me, quem eu tenho que ser

Pra receber um pouco de reciprocidade?   

Ninguém ama você mais do que eu

E ninguém jamais amará

Isto é só um joguinho tolo

Que força você agir dessa maneira

Força você gritar meu nome

E então fingir que não é capaz de ficar

 

E quando eu tento ir embora

Você se magoa e me faz ficar

Isso é loucura

 

Eu continuo deixando você voltar

Como posso me explicar?

Por mais doloroso que isso tem sido

Eu simplesmente não consigo estar com mais ninguém

Veja, eu sei o que nós temos que fazer:

Você desiste e eu desisto também

 

Cuida de mim, cuida de mim,

Sei que você se importa comigo

Disse que estaria lá pra mim

Chora por mim, chora por mim

Disse que morreria por mim

Porque não vive por mim?

 

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